O samba diferente que ganhou o mundo
Agostinho dos Santos
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Baden Powell
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Bossa 3
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Os Cariocas
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Carlos Lyra
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Elizeth Cardoso
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Eumir Deodato
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Tom Jobim
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Vinicius de Moraes
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Walter Wanderley
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Luiz Bonfá
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Marcos Valle
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João Donato
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João Gilberto
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Nara Leão
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Roberto Menescal
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Sergio Mendes
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Tamba Trio
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Zimbo Trio
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Biografia e discografia:
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Oficialmente a bossa nova começou num dia de agosto de 1958
quando chegou nas lojas de discos brasileiras o 78 rotações de
número 14.360 do selo Odeon do cantor João Gilberto com as músicas
Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e
Bim Bom (do próprio cantor). Unanimemente reconhecido como
papa do estilo, João tinha acompanhado ao violão um pouco antes a
cantora Elizeth Cardoso em duas faixas do também inaugural
Canção do Amor Demais (LP exclusivamente dedicado às
canções da iniciante dupla Tom & Vinicius) com a célebre
batida, sincopada no tempo fraco pelos bateristas. Para desembocar
na revolução harmônica sintetizada na voz & violão do baiano
nascido em Juazeiro, muitos acordes dissonantes (ironizados na
canção manifesto Desafinado, de Tom e Newton Mendonça)
foram disparados.
A avassaladora influência da cultura americana do Pós-Guerra
combinada à influência do impressionismo erudito (Debussy, Ravel) e
um inconformismo com o formato musical dos dós de peito
acompanhados por regional disseminaram descontentes inovadores como
os violonistas Garoto, Valzinho, Laurindo de Almeida, Luís Bonfá, o
(então) acordeonista João Donato e principalmente o pianista e
compositor Johnny Alf. Alguns deles (mais cantoras como Nora Ney e
Doris Monteiro) reuniam-se em fã-clubes caseiros como os que
tributavam Dick Farney & Frank Sinatra, Dick Haymes & Lucio
Alves para cultuar seus mitos e ensaiar as mudanças.
Ao próprio Farney seria atribuído outro marco inaugural, a gravação
camerística (com arranjo de Radamés Gnattali, também modernista) do
samba canção Copacabana (João de Barro/ Alberto Ribeiro)
em 1946. Seu rival Lúcio Alves integrava o Namorados da Lua, um dos
muitos grupos vocais — como os pioneiros Os Cariocas —
que sob influência dos congêneres americanos espalhavam arrojadas
combinações harmônicas pela MPB pós-samba canção já em fase de
modernização por autores como Dorival Caymmi (Marina, Nem
Eu) e Tito Madi (Cansei de Ilusões, Não Diga Não). O
tripé da nova bossa moldada por João assentava suas bases na
densidade musical do compositor Antonio Carlos Jobim (ex-aluno do
dodecafonista alemão Koellreuter), autor em meados dos 50 da
inovadora Sinfonia do Rio de Janeiro (arranjos do mesmo
Gnattali) e da provocante Teresa da Praia (ambas com Billy
Blanco) e no brilhantismo poético do experiente diplomata Vinicius
de Moraes (parceria iniciada na peça deste, Orfeu da
Conceição, em 1956).
Sambalanço
Paralelamente à ascensão da
bossa, escalava as paradas o sambalanço, que sem chegar a
constituir-se num movimento, injetou mais teleco-teco (como se
dizia na época) no velho ritmo gestado na casa das tias baianas no
centro do Rio no começo do século. Alguns fornecedores e expoentes
do setor: Elza Soares, Miltinho (egresso do grupo vocal Os
Namorados), Ed Lincoln (que tocava na boate Plaza, outro reduto da
inaugural da bossa), Djalma Ferreira, Orlan Divo, Silvio Cesar,
Luís Bandeira (autor de "Apito no samba"), Pedrinho Rodrigues, Luis
Reis, Haroldo Barbosa, Luis Antonio, Jadir de Castro e João Roberto
Kelly.
Mas a bossa era acima de tudo um movimento da emergência urbana do
país na fase desenvolvimentista da presidência de Juscelino
Kubitschek (1955-60) e concentrou-se no Rio em apartamentos da zona
sul como o da futura cantora Nara Leão. Ela sediava em Copacabana
encontros de jovens autores e músicos como Carlos Lyra, Roberto
Menescal, Ronaldo Bôscoli, Sérgio Ricardo e Chico Feitosa, entre
outros. Os shows do grupo começaram no ambito universitário (foi o
primeiro movimento musical brasileiro a sair das faculdades) e
agregaram inúmeros outros inovadores. De Durval Ferreira
(Sambop, Batida Diferente) à precursora Silvia Telles (a
quem alguns atribuem mais um marco inaugural, Foi a Noite,
de Tom e Newton Mendonça, em 1957), Leny Andrade e as primeiras
formações instrumentais da nova tendência lideradas por gente como
Oscar Castro Neves (e seus irmãos músicos), Sérgio Mendes, Luis
Carlos Vinhas, J.T. Meirelles, além do instrumental/vocal Tamba
Trio (Luis Eça, Bebeto, Hélcio Milito) que ao lado do Bossa 3
(Vinhas, Tião Netto, Edison Machado) daria início a uma febre de
conjuntos de piano, baixo e bateria. Foi um momento de
efervescência instrumental com o aparecimento de músicos novos como
Paulo Moura, Tenório Junior, Dom Um Romão, Milton Banana, Edson
Maciel, Raul de Souza e a ascensão de maestro arranjadores como
Moacyr Santos e Eumir Deodato.
O sucesso nos palcos universitários não tirou o intimismo do
movimento que concentraria novas forças em pocket shows
nos minúsculos bares do chamado Beco das Garrafas (nomeado a partir
dos projetéis atirados pelos vizinhos contra o barulho) em
Copacabana. De lá sairiam, paradoxalmente, artistas de uma fase
mais extrovertida da bossa como Elis Regina (coreografada pelo
bailarino americano Lennie Dale, que também cantava), Wilson
Simonal e Jorge Ben (atual Jor).
Filial paulistana
A cidade de São Paulo, que
já acolhera os exilados cariocas Johnny Alf, Claudette Soares e
Alaíde Costa lastreou uma filial do movimento com trios
instrumentais como o Zimbo, Sambalanço (de onde sairiam Cesar
Camargo Mariano e Airto Moreira), Jongo, Bossa Jazz, Manfredo Fest
(pianista que acabaria radicado nos EUA), o cantor Agostinho dos
Santos, as cantoras Maysa, Elsa Laranjeira e Ana Lúcia, a
compositora Vera Brasil (Tema do Boneco de Palha), o
violonista Paulinho Nogueira, os compositores Walter Santos e
Geraldo Vandré (que lançaria o protesto Menino das
Laranjas do futuro parceiro Théo de Barros) e o organista
Walter Wanderley entre outros.
Junto com a cisão estética, que limitaria a duração da fase
ortodoxa da bossa ao período 1958-1965, uma repartição política
quebraria o movimento já reforçado por uma geração intermediária
formada por Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime e
Joyce. O Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes
estimulava uma visão popular e nacionalista da cultura brasileira
que levou à autocrítica de um dos pilares da bossa, Carlos Lyra, em
Influência do Jazz ("pobre samba meu/ foi se misturando/
se modernizando/ e se perdeu") além de uma aproximação com os
compositores de morro como Zé Ketti, com quem ele compôs o
Samba da Legalidade (referindo-se à tentativa de impedir a
posse de João Goulart, vice do presidente renunciante, Jânio
Quadros).
Dessa corrente, a que se filiaria a Nara Leão do disco de estréia
onde promovia sambistas como Cartola, Elton Medeiros e Nelson
Cavaquinho e o ás do baião e xote nordestinos João do Vale, autor
de Carcará, eram ainda outros parceiros de Lyra como
Nelson Lins e Barros, Geraldo Vandré (Aruanda) além de
Sérgio Ricardo (Zelão). Na mesma direção de releitura (com
as harmonias da bossa) das raízes étnicas, Vinicius de Moraes e o
violonista Baden Powell comporiam a série de afro-sambas
(Berimbau, Canto de Ossanha). Ironicamente, o mesmo
Vinicius, parceiro de Tom Jobim no maior clássico do movimento,
Garota de Ipanema — que gravada em 1963 por João
Gilberto, sua mulher Astrud, o saxofonista do cool jazz
Stan Getz e Tom Jobim nos EUA expandiria o estilo pelo planeta
— iria compor com Edu Lobo o marco do fim da bossa.
Arrastão, da dupla, cantada por Elis Regina, no I Festival
da Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, em 1965, iniciaria a
rotulada MPB. O reinado difuso do conglomerado de tendências
abarcado por esta sigla duraria até 1982 quando deu-se a erupção do
BRock, a partir da explosão do grupo Blitz.
Estética perene
O fim cronológico da bossa
não significou sua extinção estética. O jazz que a influenciou
recebeu o troco a partir do sucesso estrondoso da versão
instrumental de Desafinado pela dupla Stan Getz (sax) e
Charlie Byrd (guitarra), em 1962. No mesmo ano um elenco de músicos
brasileiros tomaria o palco do Carnegie Hall, em Nova Iorque e a
partir daí vários estabeleceriam bases por lá como Oscar Castro
Neves, Sérgio Mendes, Luis Bonfá e Eumir Deodato. Algumas das
principais músicas do movimento foram regravadas por ases como Ella
Fitzgerald, Miles Davis, Sarah Vaughan, Herbie Mann, Charlie Byrd,
Oscar Peterson, Bill Evans, Coleman Hawkins, Cannonball Adderley,
Gerry Mulligan e inúmeros outros. E com o aparecimento de novas
gerações de jazzistas, vários dos chamados young lions,
mostraram-se reverentes ao estilo. Antes, em 1967, o barítono
intimista Frank Sinatra, voz guia dos primeiros vagidos da bossa
(além de Chet Baker e do minimalista do acordeon Joe Mooney)
reconheceria a afinidade num reverente dueto em disco com Tom
Jobim. Isso sem contar os franco-atiradores que aproveitaram o
modismo para vender falsas bossas ao público americano como Eddie
Gourmé (Blame It On The Bossa Nova), Ruby & The
Romantics (Our Day Will Come) e até um irreconhecivel
Elvis Presley na rumba Bossa Nova Baby.
Duas décadas depois, a bossa ainda influenciaria uma corrente
pós-punk inglesa, através do beije sound ou new
bossa de grupos como Style Council, Matt Bianco (da cantora
Basia, que dedicaria uma música a Astrud Gilberto) e Everything But
the Girl. A tendência teria reflexo no BRock de Lobão a Cazuza
(Faz Parte do Meu Show). Mais adiante, as pistas dançantes
do acid jazz e o ramal eletrônico
drum‘n’bass reabilitariam o groove da
bossa, redescobrindo — e repaginando — de João Donato e
Marcos Valle a Joyce e Edu Lobo.
Músicas
Chega de Saudade (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) –
João Gilberto
Samba de uma Nota Só (Tom Jobim/ Newton Mendonça) –
Nara Leão
Desafinado (Tom Jobim/ Newton Mendonça) – João
Gilberto
Garota de Ipanema (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes/ Norman
Gimbel) – João e Astrud Gilberto, Stan Getz & Tom
Jobim
O Barquinho (Roberto Menescal/ Ronaldo Bôscoli) –
Maysa
Influência do Jazz (Carlos Lyra) – Carlos Lyra
Manhã de Carnaval (Luis Bonfá/ Antonio Maria) –
Agostinho dos Santos, Luis Bonfá e Quarteto de Oscar Castro Neves
no Carnegie Hall
Batida Diferente (Durval Ferreira/ Mauricio Einhorn)
– Tamba Trio
Minha Namorada (Carlos Lyra/ Vinicius de Moraes) –
Os Cariocas
Berimbau (Baden Powell/ Vinicius de Moraes) – Baden
Powell
Lobo Bobo (Carlos Lyra/ Ronaldo Bôscoli) – Wilson
Simonal
Corcovado (Quiet Nights of Quiet Stars) (Tom Jobim/ Gene
Lees) – Tom Jobim e Frank Sinatra
Insensatez (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) – Tom
Jobim
Dindi (Tom Jobim/ Aloysio de Oliveira) – Sylvia
Telles
Ela É Carioca (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) –
Sérgio Mendes e Sexteto Bossa Rio
Nanã (Moacyr Santos) – Moacyr Santos
Balanço Zona Sul ( Tito Madi) – Zimbo Trio
Zelão (Sérgio Ricardo) –Sérgio Ricardo
Sonho de Maria (Marcos e Paulo Sérgio Valle) – Tamba
Trio
Samba do Avião (Tom Jobim) – Eumir Deodato
Amazonas (João Donato e Lysias Ênio) – João
Donato
Mas Que Nada (Jorge Ben) – Jorge Ben






